Uma arquibancada repleta de corintianos que, mesmo de terno, se
abraçavam e pulavam para os lados no tradicional ritmo do "poropopó",
que embalou a torcida por anos no Pacaembu. A cena resume bem a primeira
noite do Itaquerão, em que o Corinthians recebeu Ivete Sangalo com
pompa, mas sem deixar de lado suas raízes.
No corredor de mármore da ala leste do estádio, cerca de 3 mil pessoas
se reuniram a caráter para a comemoração dos 103 anos do Corinthians,
completados no início deste mês. Foi também o primeiro grande evento do
Itaquerão, que até então só tinha recebido vistorias oficiais e festas
para funcionários da obra.
Luiz Inácio Lula da Silva, amigo de Andrés Sanchez e torcedor fanático
do clube, não compareceu, mas foi citado pelo ex-presidente do
Corinthians como "um dos que mais batalhou" pelo estádio no discurso de
abertura da cerimônia.
A cúpula da cartolagem brasileira também deu as caras. José Maria
Marin, presidente da CBF e, em tese, rival político de Andrés, foi ao
estádio no início da festa e deixou o local antes do início do show de
Ivete Sangalo.
Para a maioria dos presentes, no entanto, toda essa turma passou
despercebida. Corintianos ilustres e desconhecidos aproveitaram a
oportunidade para curtir a nova casa. Antes do show, serviram-se à
vontade de uísque, champanhe, cerveja e refrigerantes que eram servidos,
podendo beliscar desde canapés mais elaborados a quitutes simples como
coxinhas e folheados de queijo.
Os convidados eram, em sua maioria, ligados a conselheiros e sócios do
clube, e a regra de "traje social completo" não impediu que muitos deles
fizessem referências ao time. Corintianos mais fanáticos levaram
cachecóis da passagem recente pelo Japão e gravatas com o escudo
estampado, enquanto as moças abusaram da mistura de preto e branco em
seus vestidos, sempre com referências ao clube.
Quem foi como convidado de honra ficou em uma área VIP, isolada do
resto do evento, e pôde curtir a festa quase sem ser incomodado. Foi o
que fizeram autoridades como os ministros José Eduardo Cardozo
(Justiça), Alexandre Padilha (Saúde) e Miriam Belchior (Planejamento),
principais autoridades federais presentes na festa.
Quando a festa propriamente dita começou, todos ocuparam um lance de
arquibancadas para ver a bateria da Gaviões da Fiel, recebida com
honrarias da presidência corintiana, a despeito dos problemas recentes
causados em estádios. Os convidados, abraçados, não hesitaram em puxar o
"poropopó" a caráter quando solicitados, pulando para os lados ao som
de "O Corinthians veio pra vencer".
A festa ainda teve gritos de gol, bandeirão erguido na nova casa pela
primeira vez e saudações a ídolos do passado como o ex-goleiro Ronaldo,
Biro-Biro e Basílio. Quando Ivete Sangalo entrou no palco, o clima de
exaltação só aumentou.
"Vai, Corinthians", disse a cantora baiana em sua primeira fala,
conquistando logo de cara os presentes. Diante de um público bem menor
do que está acostumada, Ivete dominou o palco e pôde brincar com quem
estava na plateia. Com bom humor, fez senhores grisalhos ensaiarem
coreografias, deu conselhos a mulheres grávidas e tirou de letra
situações embaraçosas como o assédio de um fã mais ousado, que queria
tirar foto por baixo de seu vestido.
"Acho que o Andrés fez muito bem em me chamar para vir aqui", disse ela, sem falsa modéstia, no meio de sua apresentação.
Com o fim da festa, o Corinthians volta às obras. O estádio deve ser
parcialmente entregue no fim deste ano, quando faltará apenas a
instalação das arquibancadas provisórias, que serão usadas na Copa do
Mundo de 2014. O clube só deve estrear a nova casa no ano que vem, em
algumas partidas do Paulista, mas o cronograma ainda será definido nos
próximos meses.
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